O comprar compulsivo

Nos atuais modelos, o comprar ( seja o que for) é um dos pilares para manter toda nossa economia funcionando ( e muitas vezes nossas vidas também).

Existem uma série de coisas que não temos como fugir de comprar, tais como comida, vestuários, objetos de uso pessoal e para manter nossa higiene, porém não só de necessidades básicas que nos focamos em comprar. Nós também compramos objetos para nosso lazer, cultura e praticidade do nosso dia a dia.

Todos nós sabemos razoavelmente o que é necessário para nossa sobrevivência, para nosso lazer, aumentar nossa cultura , praticidade e o que é supérfluo, mas que em certos momentos nos damos o prazer de consumir.

Nosso processo volitivo ( ou seja, nossa forma de decidir algo) segue basicamente o seguinte esquema:

PROPÓSITO → DELIBERAÇÃO → DECISÃO → AÇÃO

Quando falamos em comprar compulsivas esse processo volitivo entra em curto circuito e fica dessa forma:

 PROPÓSITO → AÇÃO

Aquele que compra compulsivamente não percebe que é inadequado na forma de comprar e pode até se preocupar um pouco antes de realizar a primeira compra ( do dia, da noite, da semana e etc) mas assim que passa a comprar ele deixa isso de lado para comprar apenas pelo prazer de comprar ( ele argumenta que precisa daquilo  para justificar o prazer da compra).

As consequências disso chegam rapidamente, pois o individuo começa a acumular uma série de objetos que não precisa, passa a ter problemas financeiros e se coloca em dividas, chegando ao ponto de contrair novas para pagar a antiga ( tem cartões de crédito para cobrir  outros, empréstimos bancários e em casos extremos passa a procurar agiotas ou outros para ter dinheiro rápido).

Quando para e olha a sua volta, se percebe cheio de objetos desnecessários, muitos deles ainda em suas embalagens, lotado de dividas e quase sem aquilo que realmente precisa para o seu dia a dia.

O que fazer quando me perceber assim?

Quando se trata de comprar compulsivamente há duas frentes importantes que devem ser atacadas para uma melhora: saúde financeira e saúde emocional/comportamental.

  Dicas financeiras:

  • Mantenha um controle financeiro, ou seja um caixa, sabendo exatamente o que entra e sai de dinheiro durante seu dia, semana e mês.
  • Não tenha cartões de crédito
  • Caso não seja possível abolir os cartões de crédito, tenha apenas um, e com limite baixo.
  • Não contraia dívidas para pagar novas dividas.

    Dicas emocionais e comportamentais:

  • Pratique o auto monitoramento, ou seja passe a perceber momentos que você compra mais e o que está acontecendo externa e internamente.
  • Não vá a grandes centros de compras, eles foram feitos para estimular o consumo desenfreado.
  • Procure uma ajuda com um profissional da psicologia, pois muitas vezes percebemos que o comprar além de um grande problema, pode estar encobrindo outros que assim que descobertos podem se tornar uma bola de neve.

Quem precisa ser magro?

Nos tempos modernos a questão do peso tomou proporções que vão muito além do saudável , ou seja  o magro deixou de ser uma questão de saúde para virar uma questão de estética.

Ser magro virou sinônimo de algo bom e positivo, mas não no sentido de saúde e sim no sentido de sucesso pessoal e de confiança.

Ser magro é ser belo…ser belo é ser um sucesso…preciso ser magro, mas não sou…sou um fracasso…devo emagrecer a qualquer custo.

Com o encadeamento de pensamentos acima que muitos se vem diante dos transtornos alimentares mais discutidos ultimamente: anorexia e bulimia.

Vamos falar sobre cada um deles separados, pois cada um tem suas características.

A anorexia pode ser definida de uma forma geral como um medo intenso e/ou mórbido de engordar, e para que isso não ocorra, recorre a métodos extremos de restrição alimentar ( passar o dia com o mínimo de comida imaginável), mantendo metas de peso surreais, baseados em uma magreza que mais se assemelha a um esqueleto.

Muitas vezes se almeja chegar o mais próximo de zero de gordura corporal possível ( claro que ignorando o fato que o corpo precisa de gordura para se manter funcionando).

Outra característica marcante é o fato de quem tem anorexia se ve dentro de uma distorção corporal, ou seja ele não vê o corpo como ele é, e sim como ele imagina que é. Não importa o quão magra esteja, sempre irá se ver gorda e precisando ainda mais perder peso.

Imagem

Já na bulimia, embora possa parecer muito com a anorexia, ela na verdade se diferencia principalmente que além do medo de ganhar peso, seja associado uma série de atitudes para forçar a “limpeza” do organismo mais rápido, como indução de vômitos depois de alimentar-se, uso intenso de laxantes e etc.

Porém o mais marcante da bulimia é que devido a associação forte a questões ansiosas e depressivas, fatalmente o individuo se sentirá culpado e partirá para a compulsão alimentar, onde ele ingere uma grande quantidade de comida em pouco tempo, para na sequência retornar ao antigo padrão de indução de vômitos e laxantes.

Pacientes com anorexia e bulimia tendem a procurar agrupamento de pessoas que contenham os mesmos transtornos, sendo a internet o grande ponto de encontro.

Termos foram criados para se identificarem e ao mesmo tempo se preservarem de olhares alheios, como o Pró-Ana e o Pró-Mia, abreviações de Pró Anorexia e Pró Bulimia, associações de incentivo ao transtorno e de divulgação de informações para a perda ainda mais intensa de peso.

Durante os anos 90 uma banda chamada Silverchair fez muito sucesso com uma música chama Ana’s Song, onde aparentava ser uma declaração de amor para uma garota de nome Ana, porém na verdade o vocalista, que tinha anorexia fez a música para falar sobre seu transtorno.

Ana’s Song ( Silverchair)

Por favor, Ana, morra
Pois enquanto você estiver aqui, nós não estaremos
Você faz o som do riso
E as unhas afiadas parecerem macias

E eu preciso de você agora, de algum modo
E eu preciso de você agora, de algum modo

Abra fogo com a carência que me faz
Estar de joelhos por você
Abra fogo sobre as ânsias dos meus joelhos
Como eu preciso de você

 

Para finalizar gostaria de deixar a imagem de uma comparação feita pelo artista americano Nickolay Lamn de uma Barbie vendida no mercado atual e uma feita com medidas de mulheres reais.

Imagem