Alcoolismo e seus problemas

O álcool está presente em nossa história a vários séculos, acreditando-se ter surgido na época pré-histórica, 10.000 anos atrás, quando o homem domina a agricultura e passa  criar artefatos de cerâmicas.

Dentre as diversas lendas quanto ao consumo excessivo do álcool, podemos citar a história de Noé, que após desembarcar com os animais do diluvio, cultiva uvas e faz vinho. Bebe em comemoração a ponto de gritar, cantar e tirar as roupas, de acordo com relatos do Velho Testamento ( Genesis, 9:21) .

Outra história marcante com o álcool é de Alexandre, O Grande, que depois de uma grande conquista bebe tanto que desmaia e dias depois morre de uma doença desconhecida, hoje relacionada a problemas no fígado.

Embora presente em todas as culturas, em todas as épocas, o álcool sempre sofreu tentativas de controle. Proibições ao seu uso na história recente dos Estados Unidos não só não obteve o efeito desejado, como fortaleceu o crime organizado que enriqueceu na produção e venda de álcool ilegal.

O consumo moderado de alguns tipos de bebidas alcoólicas podem ser relacionados a benefícios a saúde, porém como saber se isso passou dos limites?

Alguns sintomas do alcoolismo são:

  1. Desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas.
  2. Tolerância: necessidade de doses crescentes de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância;
  3. Abstinência: síndrome típica e de duração limitada que ocorre quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente.
  4. Aumento do tempo empregado em conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância; abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo.
  5. Desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos também são sintomas do alcoolismo.
  6. Persistência no consumo de álcool mesmo em situações em que o consumo é contraindicado ou apesar de provas evidentes de prejuízos, tais como, lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool.

Sabendo desses sintomas , algumas perguntas podem ser feitas para começar a se pensar se alguém se encaixa como alcoolista:

  1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais) sem sucesso?
  2. Fica irritado quando alguém questiona sobre o seu consumo de álcool ou o tenta fazer parar?
  3. Já tentou controlar a quantidade de álcool ingerida substituindo uma bebida por outra?
  4. Já consumiu bebida ou sentiu necessidade de beber bebida alcoólica pela manhã nos últimos meses?
  5. Sente inveja de pessoas que conseguem controlar o consumo de bebidas alcoólicas sem criar problemas?
  6. Percebe que o problema com as bebidas vem se agravando com o passar do tempo?
  7. A bebida alcoólica já criou problemas no seu lar?
  8. Tenta conseguir doses extras em festas ou reuniões sociais onde as bebidas são ilimitadas?
  9. Apesar de confirmar a maioria das perguntas acima e outros fatores, continua afirmando que consegue parar quando quiser?
  10. Faltou ao serviço durante os últimos meses por causa das bebidas?
  11. Já sofreu apagões por decorrência do consumo do álcool?
  12. Já pensou que poderia aproveitar muito mais a vida sem consumir álcool?

Se os sintomas do alcoolismo te chamam a atenção em alguém, ou sem si mesmo, e responde afirmativamente na maioria das perguntas acima, é o momento de procurar ajuda.

Independente do nível do problema, todos temos o direito de procurar ajuda profissional. Médicos, psicólogos, associações civis entre outros estão aptos a ajudar.

Procure ajuda.

Fontes utilizadas: http://www.alcoolismo.com.br

 

Chegou a aposentadoria! E agora?

Aposentadoria, momento que todo trabalhador um dia, mais cedo ou mais tarde, irá chegar e terá que enfrentar. Grande parte de nós almeja uma situação tranquila, podendo finalmente descansar de décadas de trabalho e desfrutar de tudo aquilo que juntou financeiramente.

Assistir televisão e viajar muito, a grande maioria sonha, porém de fato estamos nos preparando para esse momento?

A população brasileira está cada vez vivendo mais tempo, e nossa expectativa de vida hoje beira os 75 anos. Nosso contingente de idosos em pouco tempo será maior que o de crianças e adolescentes.

Trabalhar é muito mais que apenas trocar sua força de trabalho por pagamento, cada um de nós tem uma relação especial com seu emprego e envolve diversos fatores.

Nos tornamos aquilo que fazemos, afinal o Rodrigo é primeiramente o Rodrigo Psicólogo, e a pergunta “ O que faz da vida?” é uma das primeiras a serem feitas ao se conhecer alguém.

Se torna uma parte tão importante de quem somos que ao se aposentar nos tornamos, Rodrigo, psicólogo aposentado, mas jamais nos tornamos alguém desvinculados ao que um dia trabalhamos.

Uma noção de identidade se torna tão forte, que muitos carregam para sua vida pessoal pronomes de tratamento exclusivos da profissão ( visto os Doutores da vida) e se ver repentinamente sem isso pode ser algo tão chocante que ninguém esta de fato preparado.

Outro ponto que não podemos ignorar das relações de trabalho , é o ciclo social que acaba se formando por isso. Amigos do trabalho, chefes e subordinados, devido ao grande período que se passa em ambientes de trabalho, concentra-se em muitas vezes os poucos contatos sociais além da família, isso quando não se tornam os únicos contatos sociais.

Aposentar-se acaba sendo um rompimento com ciclos sociais inesperados, pois não mais compartilha situações cotidianas, tornando o indivíduo alheio a assuntos comuns e impedindo assim a sua socialização.

Não podemos esquecer o impacto financeiro que a aposentadoria trás, pois é de conhecimento geral que infelizmente o nosso sistema previdenciário beira o colapso e grande parte dos trabalhadores se aposenta com valores muito abaixo do salário que recebia quando ativo, gerando assim um misto de emoções de quem trabalhou tanto e se vê recebendo valores irrisórios.

Quem eu sou? Qual minha função na vida agora que não trabalho? Que amigos tenho? Com quem irei sair? Como vou manter o meu padrão de vida? E as viagens que não fiz a vida toda , como fazer agora que me aposentei e não tenho mais renda? Estou ficando doente? Como pagar médicos e tratamentos? Como remédios são caros!

Aposentar muitas vezes é algo muito complicado, mas e agora?

Algumas empresas já tem implementado programas de aposentadoria progressiva, onde meses antes de ocorrer a aposentadoria definitiva é feito uma dessensibilização progressiva do trabalhador, onde ele passa a reduzir sua jornada de trabalho e dias que vai trabalhar até não mais ir.

Outro investimento das empresas é a implementação de um plano de previdência privada, onde possa proporcionar um melhor rendimento financeiro aquele que trabalha.

Para aqueles que não trabalham em empresas que adotam essas praticas, ou que são trabalhadores de outras áreas que não contemplam essas possibilidades, deve se proporcionar um questionamento sobre a aposentadoria e as relações do individuo com o trabalho.

Trabalhar significa identidade, ciclo social, qualidade de vida, rendimentos financeiros, entre outros.

Você já parou para pensar sobre aposentadoria?

Síndrome de Gabriela

“Eu nasci assim, eu cresci assim, sou mesmo assim e vou ser sempre assim. Gabriela, sempre Gabriela…”.

Através da novela Gabriela, adaptação da obra de Jorge Amado, conhecemos a tão famosa personagem Gabriela, moça que não se importa com seu comportamento pouco usual a sociedade da época e claro, muito menos se importa com isso.

Tal personagem ficou tão famosa, e os versos da música de abertura tão marcantes, que acabou-se informalmente surgindo a famosa Síndrome de Gabriela.

Sem ser uma doença de fato, ela melhor descreve um padrão de comportamento rígido, onde aquele indivíduo não mostra habilidades de adaptação aos fatos corriqueiros da vida, muitas vezes se colocando em situações embaraçosas por tal rigidez.

A psicologia como um todo sofre com os indivíduos de comportamento típicos da síndrome de Gabriela, pois são principalmente formados por pessoas que consideram que todos os seus comportamentos são simplesmente reflexos da sua “ personalidade”, seu “jeito de ser” e que jamais irá mudar, afastando assim dos consultórios do mundo todo.

Tal situação gera uma tolerância quanto ao sofrimento do indivíduo, sempre justificado por “ ele é assim mesmo, não vai mudar”. E assim se constrói toda uma geração de pessoas que sofrem, mas não buscam ajuda por acreditarem que as características de sua “personalidade” são assim mesmo, e como já diz a sabedoria popular , “personalidade não se muda”.

Conceitos de personalidade inflexível, incapaz de aprender e se ajustar a novas situações, já foram abandonadas pela psicologia a muito tempo, e novas descobertas do funcionamento comportamental, preconizadas principalmente por Skinner, demonstram que mudanças profundas e radicais na forma de se comportar não só é possível, como também é desejada.

Todo comportamento individual que trás sofrimento pode ser mudado, atenuando assim diversas dificuldades do cotidiano, basta claro procurar ajuda profissional e estar aberto a questionamentos e mudanças.

Não podemos esquecer claro de citar que a rigidez quanto a possibilidade de mudanças acaba se agravando, e muito, quando se trata de indivíduos acima dos 60 anos. “ Ele sempre foi assim, não é agora que vai mudar…” talvez seja algo que mais se escuta quando se chega nessa faixa etária, eliminando assim a possibilidade de atenuar sofrimentos psíquicos tão comuns ao envelhecimento.

Desde que tenha um desejo de mudança, todo comportamento é possível de ser modificado, e com ajuda de um profissional adequado as suas necessidades o sofrimento também pode ser combatido.