Síndrome de Gabriela

“Eu nasci assim, eu cresci assim, sou mesmo assim e vou ser sempre assim. Gabriela, sempre Gabriela…”.

Através da novela Gabriela, adaptação da obra de Jorge Amado, conhecemos a tão famosa personagem Gabriela, moça que não se importa com seu comportamento pouco usual a sociedade da época e claro, muito menos se importa com isso.

Tal personagem ficou tão famosa, e os versos da música de abertura tão marcantes, que acabou-se informalmente surgindo a famosa Síndrome de Gabriela.

Sem ser uma doença de fato, ela melhor descreve um padrão de comportamento rígido, onde aquele indivíduo não mostra habilidades de adaptação aos fatos corriqueiros da vida, muitas vezes se colocando em situações embaraçosas por tal rigidez.

A psicologia como um todo sofre com os indivíduos de comportamento típicos da síndrome de Gabriela, pois são principalmente formados por pessoas que consideram que todos os seus comportamentos são simplesmente reflexos da sua “ personalidade”, seu “jeito de ser” e que jamais irá mudar, afastando assim dos consultórios do mundo todo.

Tal situação gera uma tolerância quanto ao sofrimento do indivíduo, sempre justificado por “ ele é assim mesmo, não vai mudar”. E assim se constrói toda uma geração de pessoas que sofrem, mas não buscam ajuda por acreditarem que as características de sua “personalidade” são assim mesmo, e como já diz a sabedoria popular , “personalidade não se muda”.

Conceitos de personalidade inflexível, incapaz de aprender e se ajustar a novas situações, já foram abandonadas pela psicologia a muito tempo, e novas descobertas do funcionamento comportamental, preconizadas principalmente por Skinner, demonstram que mudanças profundas e radicais na forma de se comportar não só é possível, como também é desejada.

Todo comportamento individual que trás sofrimento pode ser mudado, atenuando assim diversas dificuldades do cotidiano, basta claro procurar ajuda profissional e estar aberto a questionamentos e mudanças.

Não podemos esquecer claro de citar que a rigidez quanto a possibilidade de mudanças acaba se agravando, e muito, quando se trata de indivíduos acima dos 60 anos. “ Ele sempre foi assim, não é agora que vai mudar…” talvez seja algo que mais se escuta quando se chega nessa faixa etária, eliminando assim a possibilidade de atenuar sofrimentos psíquicos tão comuns ao envelhecimento.

Desde que tenha um desejo de mudança, todo comportamento é possível de ser modificado, e com ajuda de um profissional adequado as suas necessidades o sofrimento também pode ser combatido.