A grama do vizinho é sempre mais verde?

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Como já diz o ditado popular “ A grama do vizinho é sempre mais verde”. Ele, de uma forma simplifica, quer dizer que “ Olhando de fora, a vida do outro sempre será melhor que a sua”.

De fato, se formos apenas olhar o que o outro está demonstrando sobre sua própria vida, aquilo que ele permite que chegue até você sobre ele, a vida do outro vai sempre parecer muito mais divertida que a sua.

Em tempos de facebook, Instagram e outras mídias sociais, este sentimento ruim gerado pela impressão que a vida do outro é sempre melhor foi maximizada por uma enxurrada de fotos de amigos em viagens incríveis, festas badaladas, amores incondicionais e conquistas incríveis.

Mas vamos com calma, sentemos e analisemos tudo isso. Será que de fato tudo que é postado nas redes sociais é verdade? Vamos começar com o mais velho dos programas de edição de imagem, o Photoshop. Ele serve basicamente para eliminar qualquer defeito ou mudar qualquer coisa na foto que alguém habilidoso tenha vontade. O sorriso se torna mais branco, as curvas mais acentuadas, enche copos de cerveja com líquidos que nunca estiveram ali. A grama do vizinho foi cuidadosamente manipulada para que, a olhos destreinados, parecesse muito mais verde do que de fato é.

Agora outra questão: Muitos tiram milhares de fotos em uma mesma viagem, com diversos ângulos diferentes, e postam o ano todo, fazendo assim parecer que viajaram diversas vezes. A tempos atrás, li um texto que não vou lembrar a fonte, de um jornalista que ao frequentar um hotel luxuoso do Rio de Janeiro a trabalho, reparou que alguns jovens tiravam fotos na piscina e rapidamente iam trocar de roupas e mudar o cabelo. A tática era para que com apenas uma diária, o mesmo postasse ao longo do verão diversas fotos parecendo que estivera no hotel em outras ocasiões. Mais uma vez, a realidade é manipulada para parecer algo que não é. A grama foi replicada no seu auge, parecendo sempre o mais verde dos dias.

Nas redes sociais, tendemos a postar apenas nossos melhores, seja melhores dias, melhores festas, melhores ângulos, melhores sorrisos. Claro que existem suas exceções, mas a tendência reproduzida por todos, é postar só o nosso melhor. Qual o motivo disso? Bem, teríamos que escrever outro texto, analisando as diversas contingencias desse comportamento, e quais crenças se manifestam com isso. A questão agora é apenas entender que a grama do vizinho sempre parece mais verde, pôr na verdade o vizinho manipular, muitas vezes sem saber é claro, toda a realidade do seu dia para sempre ser visto apenas o seu melhor.

A comparação de nos, com eles, sempre vai ser injusta, pois a sua vida você conhece por inteira, o lado bom e o lado ruim, mas a do outro muitas vezes conhecemos apenas o melhor.

A grama do vizinho pode ser mais verde pois é grama sintética, só isso. Ela é um mero recorte da realidade do outro, não condizendo assim com o que de fato acontece na vida dele.

Ta, mas é quando, de fato, a grama do vizinho (não sintética) é mais verde que a minha?

Continua sendo apenas um recorte da realidade, pois você está vendo apenas o produto final de um processo que muitas vezes é longo, exaustivo e complexo. Você vê a grama do vizinho verde, mas esquece de ver que ele teve que plantar, regar, cuidar e fazer toda a manutenção do jardim, para que só assim, a grama dele seja de fato verde. Às vezes, queremos ter uma linda grama verde, melhor que a do vizinho, mas não queremos pagar o preço para tal. Não queremos nos esforçar para que isso aconteça. Às vezes estamos apenas do estágio inicial da linda grama verde, mas a ansiedade para que tudo ocorra o mais rápido possível, impede de perceber que todo nosso esforço um dia vai resultar em um belo jardim.

 

Como conviver bem em condomínios

Condomínios, de apartamentos ou de casas, são formas cada mais comuns de moradia. Conforto, necessidade, segurança, luxo, não importa o motivo que o levou a escolher por este tipo de local, as opções são cercadas por um medo e problema em comum: A convivência com outros vizinhos.

Mesmo antes dos condomínios se estabelecerem, a convivência com outros vizinhos sempre foi algo a se discutir, tendo brigas e desentendimentos em qualquer situação, porém ao se colocar muitos convivendo em um mesmo local, com áreas em comum, coisas simples podem ser maximizadas a tal ponto de chegar a conflitos sérios.

E como evitar tudo isso?

Bem vamos a algumas dicas básicas:

  1. Barulho

Um dos principais problemas enfrentados por quem mora em condomínios são questões de barulho. O bom senso deve sempre reinar, então nada de barulhos depois das 22:00. Mesmo que mínimos, podem gerar desconforto em algumas pessoas (e essa pessoa pode ser você). Evite, mesmo em horários permitidos, escutar música muito alta, arrastar moveis por horas a fio, andar de salto alto.

  1. Respeito as regras

Pode parecer algo básico, mas muitos simplesmente ignoram as regras que não concordam, só pelo fato de achar que não fazem sentido. Se você considera alguma norma interna abusiva, ou sem sentido, leve a proposta de mudança (ou anulação) da regra na próxima reunião de condomínio. Lembre-se de também levar os argumentos, afinal querer que a regra mude só por que você quer, não costuma ser um argumento válido.

  1. Crianças

Crianças são seres agitados em sua grande maioria, querem correr e brincar, e não entendem como as regras funcionam. Cabe o adulto responsável gerir a situação para que não incomode ninguém, ou incomode o mínimo possível. Entender o regulamento interno, respeitar áreas de brincadeiras do lugar onde mora é fundamental para diminuir os problemas

  1. Funcionários

Funcionários do prédio são do prédio, e não seus, então nada de pedir favores pessoais, mesmo que rapidinhos. Pedir que o porteiro saia para fazer algo pode comprometer o bom funcionamento do prédio e principalmente diminuir a segurança. Cordialidade também é sempre bem-vinda, afinal quem não gosta de ser tratada com respeito e consideração.

  1. Garagem

Outro problema muito comum são as garagens, muitas vezes com vagas apertadas e de difícil manobra. Respeite os limites de velocidade, faróis baixos e atenção sempre. Caso esbarre e risque ou amasse o carro de alguém, avise imediatamente o sindico para que ele entre em contato com o dono do veículo e se disponibilize para o concerto.

  1. Conversa em primeiro lugar

Mesmo tomando todos os cuidados possíveis, os conflitos são inevitáveis algumas vezes. Caso se sinta desconfortável com algum comportamento vindo de vizinhos, primeiro tente conversar diretamente com ele, mas conversar não é brigar. Esteja aberto ao diálogo e exponha da melhor forma possível o motivo de estar se incomodando. Caso não funcione, leve a situação ao síndico, ou a administração do condomínio, explicando sempre o motivo da sua irritação.

 

O bom senso deve sempre imperar, seja onde for, para que a convivência entre todos seja a melhor possível.

O que é o estresse?

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Trabalho, estudos, família, filhos, esposa, chefe, metrô lotado, celular não para!!!

Ufa! Que estresse todo é esse!?

Uma queixa muito comum no meu consultório, independentemente da idade ou do gênero, é que o indivíduo está muito estressado, sofrendo consequências de um estilo de vida muito acelerado e tão cheio de preocupações que dificilmente teria outra consequência a não ser em um organismo adoecido.

A palavra estresse, veio de um conceito da física, que significa: quantidade média de força aplicada por unidade de área. É uma medida da intensidade do total das forças internas atuando num corpo através de superfícies internas imaginárias, como uma reação à aplicação de forças externas e do próprio corpo. Pode ser resumido em Tensão.

Lendo a definição original de estresse, não é muito difícil entender por qual motivo passamos a utilizar essa palavra para um esgotamento físico e emocional de alguém exposto constantemente a pressões.

O estresse tem uma função no nosso organismo, assim como a ansiedade, medo e etc, pois descarrega uma alta carga de adrenalina no organismo, diminuindo provisoriamente necessidades como sono, fome e melhorando a atenção (mantém o foco unicamente no assunto a ser resolvido). É um sinal de alerta, feito para ser algo passageiro e focal, porém o problema começa quando isso não passa.

O estresse passa a ser problemático quando se estende a longos períodos, de forma constante, “estressando” assim o organismo com sinais de alerta (e todo a carga física que isso inclui) que nunca passam.

Quem já foi a academia de musculação pela primeira vez e levantou pesos além da conta, sabe as dores musculares que temos no outro dia. Imagine agora que um organismo estressado é alguém que vai a academia 3x ao dia, levanta muito mais peso do que deveria, todos os dias sem nenhum descanso. O que deveria ser algo bom e produtivo, se torna doloroso, causando uma fadiga que mais cedo ou mais tarde esgotará o indivíduo até ele não aguentar mais e ceder.

E o que fazer, já que muitos dos nossos estressores do dia-a-dia não são simples de serem eliminados?

Primeiro devemos conhecer o próprio organismo, passando assim a perceber antecipadamente sinais que indiquem que está caminhando para o esgotamento.

 

Sintomas físicos do estresse:

  • Boca seca
  • Coração acelerado
  • Dificuldade em respirar
  • Dor de estômago
  • Dor de cabeça
  • Micção frequente
  • Sudorese Palmas
  • Músculos apertados que podem causar dor e tremor
  • Entre outros

 

Sintomas emocionais:

  • Tensão
  • Irritabilidade
  • Incapacidade de se concentrar
  • Sentindo-se excessivamente cansado
  • Dificuldade para dormir

 

E como prevenir?

 

Como dito no início do texto, eliminar completamente as situações estressoras do cotidiano, além de impossíveis, não seriam necessariamente indicadas (lembrando que nem todo estresse é ruim).

Pequenos hábitos podem ajudar no controle de estresse, tais como:

  • Bons hábitos alimentares
  • Atividades físicas regulares
  • Ter uma rotina de sono
  • Melhorar a respiração
  • Foco no presente

 

Porém ao perceber que algo não está bem com você, seja fisicamente ou emocionalmente, procure um especialista. A psicologia tem ferramentas para ajudar no controle do estresse e melhorar assim sua qualidade de vida.

Pelo fim da Psicofobia

Em 2012, pouco antes de sua morte, engajado em lutar contra o preconceito gerado com quem tem algum tipo de doença mental, Chico Anysio recebe em sua casa o médico Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para dar sua contribuição em forma de entrevista para a causa.

Chico sofreu de depressão por décadas, sendo acompanhado de perto pelos mais dedicados profissionais. Mesmo assim, muitos não sabem de sua luta.

Depois de terminar a entrevista, em um bate papo, o comunicador sugere ao médico que criem um termo para o preconceito com quem tem doenças mentais, e sendo acatado a ideia cria-se o termo Psicofobia.

O termo se popularizou com o tempo, sendo incorporado ao vocabulário da saúde rapidamente, e disseminado como uma causa concreta a ser combatida.

De acordo com a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12% da população mundial necessita de algum tipo de intervenção para melhorar a saúde mental.

Quer dados nacionais? Tudo bem, a mesma OMS estima que 5,8% da população brasileira em 2015 tinha algum nível de depressão. Somos o maior índice de depressão da América Latina, e segundo maior das Américas, perdendo apenas para os Estados Unidos da América, com 5,9% (pouca diferença não?).

Isso claro, por que os dados nacionais correspondem apenas a depressão, excluindo da lista outros transtornos, como ansiedade e esquizofrenia.

Mesmo assim, ainda são tratados como “loucos, fracos, incompetentes”, quando abrem o diagnóstico ao mundo. Vão embora amigos, famílias se afastam, empregos se perdem e dificuldades se multiplicam.

O pensamento que a doença mental sempre será ligada à loucura e a violência impede o correto diagnóstico e tratamento de diversas patologias. O psiquiatra sempre é visto como o médico de loucos, que ninguém jamais quer precisar, e se precisar jamais deve ser visitado.

Estimado que 94% dos que tem alguma doença mental, não terão nenhum tipo de comportamento violento ligado à sua condição mental, ainda sim perpetua-se a ideia do “louco raivoso”, atacando sem motivos qualquer um.

A impossibilidade de se realizar exames fisiológicos contundentes, que provem com grande margem de certeza, a existência de doenças mentais é um dos pilares utilizados para disseminar o preconceito, taxando como “frescura e fraqueza, má vontade e desmotivação” a dificuldade de realizar atividades corriqueiras, simples para a grande maioria.

Isso pois estamos falando de doenças psiquiátricas, com médicos psiquiatras, algo amplamente aceito pela comunidade cientifica tradicional, e bem recebido pela população em geral. Quando estendemos a psicofobia a profissionais psicólogos e sofrimento emocional e comportamentos inadequados, temos a dificuldade de lidar com uma profissão e ciência jovem (psicologia) e quadros que nem se pode considerar doenças (dificuldades de falar em relacionamentos amorosos não é doença, mas causa intenso sofrimento).

Quando me formei em psicologia, um dos primeiros locais que foi conhecer para iniciar meus atendimentos era uma clínica localizada no Alto Tietê Paulista. Em uma casa ampla, sem qualquer tipo de identificação (placas, adesivos) de que se tratava de uma clínica de psicologia, cheguei a duvidar que estava no lugar certo ao chegar para a entrevista. Ao fim do processo, questionei o profissional que me entrevistou da ausência de placas, e ele foi taxativo “Assim as pessoas não tem vergonha de vir e entrar”.

Lutemos pelo fim do preconceito, contra qualquer tipo de preconceito, pois o mesmo só gera mais sofrimento.

Transtorno de Ansiedade Generalizada

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Já abordamos um pouco sobre ansiedade aqui no nosso blog (clique aqui), porém hoje gostaria de descrever um pouco melhor um dos possíveis transtornos ansiosos que podem surgir ao longo da vida.

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é uma manifestação bem comum da ansiedade quando sai do controle, porém devemos ter muito cuidado quando vamos diagnosticar alguém com ela.

Usando parâmetros do FIDI (Frequência, intensidade, duração e interferência) pessoas acometidas com o TAG apresentam uma preocupação e ansiedades exagerados em relações a situações futuras, sem um foco aparente, tornando-se assim alguém que sempre está preocupada que algo de ruim aconteça, mesmo não tendo nenhuma evidencia do mesmo (ou quando tem, acaba aumentando em muito a possibilidade de acontecer ou suas possíveis consequências).

Os sintomas físicos da ansiedade englobam taquicardia (coração acelerado), suor sem ser devido a temperatura, tremores nas mãos ou pés, sensação de sufocação e/ou desmaio, medo de perder o controle, incapacidade de relaxar, problemas intestinais e urgências de ir ao banheiro, entre outros possíveis.

Quando falamos da TAG, tanto os sintomas cognitivos (pensamentos e sentimentos) quanto os sintomas físicos tornam-se exagerados, difíceis de se controlar, gerando intenso sofrimento.

Causas

Infelizmente, assim como outros transtornos mentais, as causas exatas da TAG são desconhecidas, e a hipótese mais aceita é a multifatoriedade de causas. Estresse, causas externas (ambientais), fatores genéticos, incapacidade de lidar com situações problemas, pressões sociais são algumas das possíveis causas do transtorno.

Tratamentos

Ao perceber que suas preocupações estão afetando sua qualidade de vida, dificultando assim o andamento equilibrado do seu cotidiano, deve-se procurar ajuda de um psicólogo para poder entender e avaliar intensidade dos sintomas e possíveis causas.

A busca de ajuda psiquiátrica também pode se mostrar necessárias, pois a medicação ajuda no controle dos sintomas físicos da ansiedade, fazendo assim mais eficiente o seu tratamento.

A Terapia Cognitiva-comportamental

A terapia cognitiva-comportamental, por focar no papel das suas cognições (pensamentos e sentimentos) na manutenção dos sintomas ansiosos e dificuldades comportamentais, ajuda a entender qual a ligação entre as duas coisas (pensamentos ansiosos e comportamento inadequado), podendo assim modificar o padrão ansioso, gerando bem-estar e volta da qualidade de vida.

O poder do “Désolé”

Minha irmã mais velha mora na França há 4 anos, foi para lá trabalhar por 1 ano e nunca mais voltou. Tudo bem, ela sempre foi uma pessoa que gostou de conhecer lugares novos, tendo feito intercâmbios e viagens ao velho continente, e de certa forma todos sabíamos que uma hora ela ia se estabelecer por lá.

Depois de 3 anos, juntei dinheiro e coragem (precisei de muito mais coragem do que dinheiro) e fui visita-la em sua cidade.  Conheci Paris e Lyon na França, e Bruxelas na Bélgica. Com inglês sofrido e não sabendo nenhuma palavra em francês, minha irmã foi minha interprete em todas as ocasiões. Interprete, guia turístico e apoio emocional em momentos que ela simplesmente dizia para me virar.

Pedi para ela me ensinar o básico para não parecer mal-educado, assim aprendi o “Bonjour (bom dia), Merci (obrigado), pardon (perdão, desculpe) ” e o ótimo “ Je suis Brésilien (Eu sou brasileiro) ” para caso alguém me perguntasse algo, e minha irmã não percebesse a tempo de traduzir (e uma frase de pânico, para ser surpreendentemente bem tratado em terras francesas).

Escreveria um texto gigantesco, ou até um livro, em tantas coisas incríveis que aprendi com aquela viagem, e com minha irmã, exposto a culturas completamente diferentes a que estou acostumado, porém uma simples palavra me chamou a atenção como psicólogo.

“Désolé”

Em tradução livre, désolé, significaria algo como “desolado”, uma expressão que deve ser empregado em situações que alguém te solicita algo, e você não pode corresponder. Seria algo como o nosso, ” me desculpe”.

Se formos usar só a tradução literal, é difícil diferenciarmos o désolé, do pardon (perdão, desculpe).

Em um momento da viagem, não lembro o contexto, minha irmã fala com alguém e termina a frase com “désolé”. Ela ri baixo, olha para mim e diz que ainda as vezes precisava se lembrar de usar corretamente a palavra, ao invés do pardon.

Ao tentar me explicar a diferença, abre uma nova forma de ver o mundo para o até então viajante novato.

“Désolé é a desculpa que não permite complemento”

Ao ser solicitado algum tipo de favor, pedido no geral, quando não se pode corresponder simplesmente se diz “ Não posso, me desculpe (désolé) ”. Não tem complemento, eles não emendam frases longas, explicando o motivo que levou a negar o pedido do outro…simplesmente, por algum motivo, não podem corresponder a solicitação. Désolé.

Rápido, curto, simples, prático…sem culpa. Não posso, me desculpe.

Em nossas terras tupiniquins, é quase um sacrilégio negar um pedido sem um bom motivo. Corremos o sério risco de sermos mal vistos, chamados de egoístas e individualistas, se negarmos um pedido simplesmente por não podermos (ou não querermos) corresponder. Quase um erro social fatal, devendo ser evitado a todo custo.

Carregado de uma culpa sem tamanho, inventamos histórias muitas vezes mirabolantes para negarmos algo, quando simplesmente não podemos naquele momento, corresponder ao outro.

Quantas vezes você já complementou sua desculpa, quando no fundo queria apenas dizer “ désolé”?

 

 

Depressão no idoso

No Brasil, o Estatuto do Idoso, é considerado idoso todo aquele que tiver idade igual ou superior aos 60 anos. De acordo com estimativas feitos pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa ( acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060.

Fácil perceber que em muito pouco tempo, ter mais de 60 anos passa de algo esporádico, dificil de acontecer como era a décadas atrás, para algo muito comum e , porque não, desejado. Afinal envelhecer é uma dádiva negada a muitos.( Autor Desconhecido).

Mesmo sendo uma dádiva , é algo que implica em diversas mudanças, não só fisicas, mas também sociais, emocionais…..envelhecer é algo que pode ser muito complicado se não tomar os devidos cuidados.

Surgimento de patologias tipicas do envelhecer, aposentadoria, saida dos filhos, diminuição da renda, perda do papel social, perda do companheiro, perda de amigos…Tantas coisas acontecendo, em tão pouco tempo, podem servir de gatilho para surgimento de patologias emocionais, como a depressão.

Ferreira, Lima e Zerbinatti (2012) citam a depressão como o transtorno psiquiátrico mais comum na população idosa, com porcentagens que podem alcançar a 20% da população brasileira acima dos 60 anos.

Algumas coisas devem ser lembradas quando se fala em depressão, e a principal de todas é que depressão é doença. Sim, uma doença emocional e comportamental, mas uma doença, devendo ser bem enfatico nisso, pois não é “frescura, bobeira, falta do que fazer” nem nada do tipo. E como doença deve ser olhada como tal, tendo que ser acompanhada e tratada por profissionais psiquiatras e psicólogos qualificados.

Deixado isso bem claro, outro ponto a ser lembrado é que, ao contrário do linguajar popular, estar “triste, desanimado” não é estar deprimido. Para ser considerado um quadro depressivo, tem que apresentar uma profunda tristesa , continua por um periodo prolongado. Manifesta com alterações do ciclo do sono (ou dorme muito, ou quase não dorme), no apetite ( ou perde o apetite ou passa a comer demasiadamete), e apatia ( falta de vontade de fazer atividades do dia a dia, ou mesmo as mais prazerosas) também são sinais de que algo não esta indo bem.

Outra caracteristica da depressão, quase sempre ignorada completamente, é a irritabilidade. O individuo parece ficar sem paciencia com facilidade, tornando-se rude com pessoas próximas.

Infelizmente quando se trata de depressão, além dos mitos e dificuldades comuns a própria doença, também devemos enfrentar barreiras sociais, que muitas vezes consideram “normal” tais alterações de humor intensas em idosos. Como envelhecer sempre significasse tornar-se triste, melancólico e apático.

Considera também a barreira que o próprio individuo tem quanto a intervenções psicologicas, com o argumento de que “gente velha é assim mesmo” e o tão famigerado “ gente velha não muda não…”

Não existe idade para cuidar da nossa saúde emocional e comportamental, nem barreiras para isso, sendo indiferente a sua idade.

Caso perceba que você tem tido as características citadas acima, ou mesmo alguém que você conhece, procure ajuda , ligue para um psicólogo.

Referência citada:

FERREIRA, H. G., LIMA, D. M. X. S, ZERBINATTI, R. – Atendimento psicoterapêutico cognitivo-comportamental em grupo para idosos depressivos: Um relato de experiência. Revista da Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo, São Paulo. V. 13(2), 86-101. 2012.

Método Pomodoro de Organização de Tempo

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Uma das queixas recorrentes em meu consultório é a dificuldade de organizar e lidar com o tempo, seja para trabalhos, estudos entre outras situações.

Existem diversas técnicas e formas de organizar o tempo, mas sem dúvidas uma das mais famosas atualmente é o Método Pomodoro.

Essa técnica foi desenvolvida por um italiano, Francesco Cirillo, no final dos anos 80 visando desenvolver uma melhor forma de se organizar.

O nome da técnica, Pomodoro, vem de inspiração os timers de cozinha das famosas Mammas Italianas, que tinham formatos de tomates (pomodoro).

A técnica consiste em organizar uma lista de afazeres e utilizar os timers para marcar blocos (pomodoro) de 25 minutos, com descanso de cinco minutos entre eles. A cada 4 blocos (pomodores), temos um descanso de 30 minutos.

Os objetivos da técnica são:

  • Aumentar sua concentração
  • Aumentar sua produtividade
  • Diminuir as interrupções
  • Aprender quanto tempo você demora em cada tarefa
  • Aliviar sua ansiedade

Uma das principais regras desse método é não interromper ou se distrair com outras atividades além da proposta a ser realizada. Desligue internet, deixe o telefone de lado, feche a porta do quarto, enfim, certifique-se de não ser interrompido no decorrer do pomodoro.

Para colocar a técnica em prática devesse seguir alguns passos:

  • Listar tarefas a serem realizadas
  • Iniciar a execução das tarefas
  • A cada pomodoro devesse marcar um X ao lado da tarefa
  • Marque quantos pomodoro vai ser necessário para terminar cada tarefa
  • Se for interrompido marque um ( – ) na lista
  • Ex: Estudar matemática: X X X – X ( 3 pomodoro, 1 interrupção e mais 1 pomodoro)

Lembre-se de que a cada 4 pomodoro, deve se dar uma pausa de 30 minutos. Nessas pausas se levante, alongue, beba uma água.

As interrupções podem ser de ordem externa (telefones tocando, pessoas chamando, etc) ou de ordem interna (lembrar de algo aleatório que tem que fazer, pensamentos automáticos negativos, etc). Evite ao máximo interromper as tarefas, parando apenas em situações de fato urgentes.

Dificuldades que podem ocorrer

 Por ser um método bem rígido de organização de tempo, alguns problemas de execução podem ocorrer durante as tarefas. No método original, são sempre pomodoro de 25 minutos, porém nada impede de adaptar esse tempo a sua realidade. Algumas tarefas podem exigir mais tempo de dedicação antes das pausas, sendo assim adapte os tempos para isso, porém nada de exageros ( pomodoro de 2 horas por exemplo) e jamais elimine as pausas, elas são um dos pontos mais importantes para a técnica ser eficiente.

Muitos utilizam o método para vestibulares e concursos, por exemplo, então adaptam os estudos aos tempos da prova ( pomodoro de 1 hora que é exatamente o tempo que se tem para fazer uma redação). Ou cada pomodores ( 4 pomodoro) referentes a uma matéria de estudo.

Se recompense!

 Outro ponto que a técnica original não aborda, mas é muito importante, é que ao final das suas tarefas você deve se recompensar pelo esforço. Sim, isso mesmo, pense em pequenos prazeres que pode realizar ao fim das suas tarefas e se presentei com isso. Pequenos chocolates, um capítulo da sua série favorita (mas apenas um!), utilizar a internet livremente por um pequeno período.

 

 

 

O que é Psicogerontologia?

Me formei psicólogo em 2011 e desde então atuo na área clínica, tendo meu consultório em Mogi das Cruzes e também atendendo na Clínica Conhecer e Agir em São Paulo. Desde o início da faculdade me interessei pela psicologia clínica, o estar dentro do consultório e atender cara a cara pacientes me fascinava. Preferindo focar meus atendimentos ao público adolescente e adultos, acabei tendo com crianças uma única experiencia.  O tempo foi passando, me especializei em Terapia Cognitiva-comportamental pelo Instituto Neurológico de São Paulo – Hospital Beneficência Portuguesa e mal terminei a especialização surgiu a oportunidade de fazer um mestrado em Psicogorontologia em Mogi das Cruzes.

E ao entrar no mestrado começou algo que até hoje me faz rir, o momento que perguntam o que estudo e digo sempre “Psicogerontologia….mas pode chamar de Psicologia voltado ao processo de envelhecimento humano”. Sempre dou risada pela cara de espanto ao escutarem a palavra Psicogerontologia, que mais parece um palavrão.

Mas o que vem a ser de fato a psicogerontologia?

Primeiramente devemos entender que é a junção dos conhecimentos da Psicologia com a Gerontologia, ramo da ciência que estuda o processo de envelhecimento de forma interdisciplinar, ou seja não apenas médico, mas sim psicológico, social, histórico e econômico.

Estamos vivendo mais, isso é fato, e estudar isso é essencial para que além de viver mais, possamos viver melhor. Para se ter uma ideia, estudos revelam que em 2020 no Brasil a expectativa de que a população idosa, ou seja, acima de 60 anos, ultrapasse a casa dos 30 milhões, nos tornando assim o sexto pais em número de pessoas nessa faixa de idade.

E se vivemos mais, também não podemos esquecer que nasce muito menos crianças hoje em dia, o que em algum momento de nossa história teremos mais idosos do que crianças. Quando isso vai ocorrer é ponto de discussão entre nossos estudiosos, mas é fato, isso vai acontecer.

Envelhecer bem, de forma saudável e ativa, é um grande desafio para os profissionais. O que temos certeza é apenas uma coisa, envelhecer bem é um conjunto de fatores biológicos e sociais. Não temos como garantir uma boa velhice, porém quanto mais nos prepararmos para ela, melhores as chances de tudo correr da melhor forma possível.

E aí que entra a psicogerontologia, afinal nada mais é que utilizar os conhecimentos da psicologia voltado ao envelhecimento humano.

Envelhecer é um processo de mudanças físicas, sociais, econômicas e psicológicas intensas, podendo gerar desconforto e angustias que até então não eram comuns ao indivíduo.

Pensamentos negativos, disfuncionais quanto a realidade pode gerar comportamentos que parecem inadequados a primeira vista, mas tem todo o sentido de existir dentro das possibilidades daquele que sofre.

Hoje estudo psicogerontologia para ajudar no processo do envelhecer, e quem sabe no futuro me dedique exclusivamente para este público.

O Medo de Falar em Público

Pernas bambas, suor intenso, vermelhidão no rosto, ombros caídos, dificuldade de respirar! Tudo isso pela difícil tarefa de: Falar em público…

Para muitos, parece uma tremenda bobeira tais sintomas apenas para falar com alguém, mas quem está sentindo pode assegurar, não é bobeira.

Pessoas com medo de interação social sentem-se dessa forma com qualquer público, seja poucas pessoas (1…2…3 pessoas) até grandes aglomerados (reuniões de trabalho, apresentações, entre outros).

Já expliquei um pouco sobre a ansiedade aqui e agora vamos falar um pouco sobre o funcionamento do medo e ansiedade dentro do falar em público.

Primeira coisa que todos que tem medo percebem é o quanto nosso corpo demonstra os nossos sentimentos ansiosos. Trememos, suamos, ficamos vermelhos, sentimos dores abdominais, coração acelerado, dificuldades de respirar e/ou respiração acelerada…tudo isso são sintomas físicos da sua ansiedade e medo.

Ao se deparar com situação de interação social, todos os sintomas físicos da ansiedade disparam com toda a sua intensidade, com um simples intuito: sair o mais rápido possível dessa situação perigosa!

Dessa forma preservamos nossa integridade física, deixamos cada vez mais de se colocar em situações sociais e passamos assim a “estar a salvo”. Porém em nosso mundo moderno, não interagir com outras pessoas, seja em níveis pessoais ou profissionais, causa um grande prejuízo em nosso funcionamento. Perde-se situações de trabalho, boas oportunidades de crescimento, estudos, bons momentos com amigos e familiares.

Como então lidar com isso?

Primeira coisa a se fazer é: Respire corretamente!

Respiração

Em situações de ansiedade e medo uma das primeiras coisas a serem alteradas em nosso funcionamento físico é a forma que respiramos.

Respiração rápida, entrecortada, e sensação de que não consigamos respirar são muito comuns. Preste atenção em como você respira quando está nessas situações e irá perceber que está respirando diferente de quando está calmo.

O primeiro passo é voltar a respirar corretamente, de forma ritmada e lenta. Inspire contando até 04 e expire contando até 06. Sim, passe mais tampo expirando o ar do que inspirando, e lembre-se de que deve ser feito de forma suave e natural, não devendo assim puxar o ar com força e soprar com vontade, e sim inspirar lentamente e expirar deixando o ar sair lentamente dos seus pulmões.

Pensamentos

Lembrando que o medo e ansiedade servem como sistemas de defesa do nosso organismo, os pensamentos negativos (chamados de disfuncionais) tem papel fundamental na manutenção do nosso mal-estar.

“ O que eles vão pensar de mim!”, “ Vou parecer um idiota e vão perder o respeito por mim”, “ eu não mereço estar nessa posição”, “ se gaguejar eu vou ser lembrado para sempre por isso” são exemplos de pensamentos negativos que o medo e a ansiedade nos fazem ter, intensamente e que parecem ter total sentido de existir naquele momento.

Um erro comum de muitos é achar que pensamentos positivos frente a isso irão ajudar a diminuir os medos, “ você consegue”, “ que bobeira, vai lá e faz” são alguns exemplos disso.

Infelizmente esse tipo de substituição não é de fato eficiente para ajudar.

A forma saudável de se pensar diante dessas situações é a chamada de pensamento racional, ou pensamento equilibrado.

De fato, pergunte-se, o que muda em minha vida o que os outros pensam sobre mim? Existe mesmo a possibilidade de todos os que estão te assistindo fazer essa apresentação te acharem idiota? Você se preparou para esta situação, as chances de dar algo de errado diminuem ou aumentam? Se meu amigo estivesse em uma situação parecida, eu daria a ele os mesmos conselhos que falo para mim mesmo?

Exposição

Já respirando de forma melhor, com pensamentos mais realistas e funcionais, agora só lhe resta uma coisa: Tentar…se expor…ir lá e fazer. Pode parecer cruel a primeiro momento, impossível para outros, mas infelizmente falar em público, se relacionar com outras pessoas é uma habilidade social, e tal como todas as habilidades só melhora quem treina.

Porém lembre-se, caso perceba que está muito difícil lidar com isso, procure sempre a ajuda profissional de um psicólogo.