Envelhecer não é necessariamente ruim…

Atualmente estou cursando o mestrado de psicogerontologia, palavra grande que significa nada mais que a psicologia voltada à ciência do envelhecimento humano, e que percebo causar espanto em muitos ao demonstrar meu interesse no tema.

Lembro-me de que em uma das primeiras aulas, foi levantado um questionamento bem simples: “Envelhecer é algo ruim ou bom?”.

Embora tenha tentado se mostrar uma faceta positiva do envelhecer, no final o que imperou foi algo muito negativo… Solidão, doença, depressão, abandono, tudo que se tinha de pior no envelhecer.

Infelizmente em nossos tempos atuais, cultuamos o jovem, belo e produtivo. Envelhecer parece ser o distanciamento total de tudo que se é valorizado ultimamente.

Porém não precisa ser assim! Somos nada mais que a soma de todas as experiências, interações, sentimentos positivos e negativos, pensamentos e crenças.

Como uma árvore que com o passar do tempo vai acumulando camadas e se tornando cada vez mais forte e imponente, envelhecer deveria ser o processo de acumular tudo o que a vida nos proporcionou e ainda nos proporciona.

Nunca é tarde demais para ter novas experiências e se permitir mudanças, compartilhar tudo aquilo que se presenciou e ensinar aos outros todo o encanto que se viveu. E por que não, também aprender?

As dificuldades físicas e cognitivas, muitas vezes típicas do passar dos anos são apenas marcas de tudo que passou, pois de nada vale querer ter uma velhice repleta de saúde se relegou isso a segundo ou terceiro plano toda a sua vida.

Somos produto de nossas escolhas, de nosso meio e de nosso tempo, negar isso e querer resultados diferentes só por estar envelhecendo é no mínimo ingenuidade.

Também não podemos esquecer-nos de nos cuidar no aqui e agora, afinal sentar a frente da televisão e esperar o tempo de partir, também não parece ser a melhor forma de aproveitar os dias.

Envelhecer não deveria ser sinônimo de abandono, muitas vezes causado pelo próprio individuo, que aos poucos deixa para traz tudo aquilo que o fez tão bem ao longo da vida, apenas para sucumbir ao preconceito de que “envelhecer é só esperar a morte chegar”.

A suavidade de perceber que de passagem em passagem, envelhecer é apenas mais uma das tantas coisas que temos que enfrentar para poder participar dessa grande festa chamada vida.

Direito a procurar ajuda

“Só quem sofre, sabe o quanto sofre”

Na faculdade de psicologia obrigatoriamente no último ano temos que fazer estágio, entre diversas áreas, na clínica de psicologia.

Basicamente é atendimento clinico supervisionado pelo professor responsável pela matéria, e uma ou duas vezes na semana todos os estudantes se reúnem para discutir sobre o caso e suas possibilidades.

Muito comum também a troca de informações sobre medos, dificuldades e ansiedades típicos de quem está iniciando.

Em uma dessas discussões de caso foi levantado a complexidade de alguns casos e comparado a “simplicidade” de outros. Nesse momento o professor responsável, Fábio Guedes, interveio e falou a frase que inicia esse post. A mensagem era clara, não existe casos mais simples ou mais complexos, são todos sofrimentos humanos que merecem toda a nossa atenção e dedicação, pois aquele que procura ajuda psicológica sofre com aquilo e não cabe a nós julgar o que é mais ou menos sofrimento.

Já me deparei algumas vezes no consultório com pessoas resistentes a terapia, usando o argumento de que “tem gente muito pior e não reclama” …ou “gente passando fome e eu reclamando dessa bobeira” …entre diversas variações desse mesmo pensamento automático.

Sofrimento não é mensurável, muito menos comparável, não é assim que ele funciona. Ele dói, machuca e é na maioria dos casos bem chato.

Todos temos o direito de procurar ajuda psicológica, ou qualquer ajuda que seja, quando algo nos incomoda ou não está bem. Situação alguma do mundo (fome, miséria, violência) deve ser justificativa para sentir-se culpado por seu sofrimento e ninguém pode lhe dizer quando procurar ou não ajuda.

Muitas vezes temos crenças irracionais sobre como os nossos sentimentos funcionam, gerando assim culpas baseadas em ideias de que deveríamos a todo momento controlar tudo que ocorre a nossa volta e internamente. Ao nos deparamos com a dificuldade em controlar tudo, a culpa nos joga a justificativa de que a ajuda não deve ser procurado pois sempre terá alguém em situação pior que a nossa e “conseguiu”.

Tudo bem, de fato existem situações extremas nesse nosso mundo contemporâneo, mas procurar ajuda para seus problemas não fará que os problemas maiores do mundo não recebam a devida atenção e se percam. Muitas vezes é o contrário, estando bem, a possibilidade de ajudar outras pessoas aumenta, disseminando assim a cultura de bem estar.

A saúde emocional também é um direito seu.

Alcoolismo e seus problemas

O álcool está presente em nossa história a vários séculos, acreditando-se ter surgido na época pré-histórica, 10.000 anos atrás, quando o homem domina a agricultura e passa  criar artefatos de cerâmicas.

Dentre as diversas lendas quanto ao consumo excessivo do álcool, podemos citar a história de Noé, que após desembarcar com os animais do diluvio, cultiva uvas e faz vinho. Bebe em comemoração a ponto de gritar, cantar e tirar as roupas, de acordo com relatos do Velho Testamento ( Genesis, 9:21) .

Outra história marcante com o álcool é de Alexandre, O Grande, que depois de uma grande conquista bebe tanto que desmaia e dias depois morre de uma doença desconhecida, hoje relacionada a problemas no fígado.

Embora presente em todas as culturas, em todas as épocas, o álcool sempre sofreu tentativas de controle. Proibições ao seu uso na história recente dos Estados Unidos não só não obteve o efeito desejado, como fortaleceu o crime organizado que enriqueceu na produção e venda de álcool ilegal.

O consumo moderado de alguns tipos de bebidas alcoólicas podem ser relacionados a benefícios a saúde, porém como saber se isso passou dos limites?

Alguns sintomas do alcoolismo são:

  1. Desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas.
  2. Tolerância: necessidade de doses crescentes de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância;
  3. Abstinência: síndrome típica e de duração limitada que ocorre quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente.
  4. Aumento do tempo empregado em conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância; abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo.
  5. Desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos também são sintomas do alcoolismo.
  6. Persistência no consumo de álcool mesmo em situações em que o consumo é contraindicado ou apesar de provas evidentes de prejuízos, tais como, lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool.

Sabendo desses sintomas , algumas perguntas podem ser feitas para começar a se pensar se alguém se encaixa como alcoolista:

  1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais) sem sucesso?
  2. Fica irritado quando alguém questiona sobre o seu consumo de álcool ou o tenta fazer parar?
  3. Já tentou controlar a quantidade de álcool ingerida substituindo uma bebida por outra?
  4. Já consumiu bebida ou sentiu necessidade de beber bebida alcoólica pela manhã nos últimos meses?
  5. Sente inveja de pessoas que conseguem controlar o consumo de bebidas alcoólicas sem criar problemas?
  6. Percebe que o problema com as bebidas vem se agravando com o passar do tempo?
  7. A bebida alcoólica já criou problemas no seu lar?
  8. Tenta conseguir doses extras em festas ou reuniões sociais onde as bebidas são ilimitadas?
  9. Apesar de confirmar a maioria das perguntas acima e outros fatores, continua afirmando que consegue parar quando quiser?
  10. Faltou ao serviço durante os últimos meses por causa das bebidas?
  11. Já sofreu apagões por decorrência do consumo do álcool?
  12. Já pensou que poderia aproveitar muito mais a vida sem consumir álcool?

Se os sintomas do alcoolismo te chamam a atenção em alguém, ou sem si mesmo, e responde afirmativamente na maioria das perguntas acima, é o momento de procurar ajuda.

Independente do nível do problema, todos temos o direito de procurar ajuda profissional. Médicos, psicólogos, associações civis entre outros estão aptos a ajudar.

Procure ajuda.

Fontes utilizadas: http://www.alcoolismo.com.br

 

Chegou a aposentadoria! E agora?

Aposentadoria, momento que todo trabalhador um dia, mais cedo ou mais tarde, irá chegar e terá que enfrentar. Grande parte de nós almeja uma situação tranquila, podendo finalmente descansar de décadas de trabalho e desfrutar de tudo aquilo que juntou financeiramente.

Assistir televisão e viajar muito, a grande maioria sonha, porém de fato estamos nos preparando para esse momento?

A população brasileira está cada vez vivendo mais tempo, e nossa expectativa de vida hoje beira os 75 anos. Nosso contingente de idosos em pouco tempo será maior que o de crianças e adolescentes.

Trabalhar é muito mais que apenas trocar sua força de trabalho por pagamento, cada um de nós tem uma relação especial com seu emprego e envolve diversos fatores.

Nos tornamos aquilo que fazemos, afinal o Rodrigo é primeiramente o Rodrigo Psicólogo, e a pergunta “ O que faz da vida?” é uma das primeiras a serem feitas ao se conhecer alguém.

Se torna uma parte tão importante de quem somos que ao se aposentar nos tornamos, Rodrigo, psicólogo aposentado, mas jamais nos tornamos alguém desvinculados ao que um dia trabalhamos.

Uma noção de identidade se torna tão forte, que muitos carregam para sua vida pessoal pronomes de tratamento exclusivos da profissão ( visto os Doutores da vida) e se ver repentinamente sem isso pode ser algo tão chocante que ninguém esta de fato preparado.

Outro ponto que não podemos ignorar das relações de trabalho , é o ciclo social que acaba se formando por isso. Amigos do trabalho, chefes e subordinados, devido ao grande período que se passa em ambientes de trabalho, concentra-se em muitas vezes os poucos contatos sociais além da família, isso quando não se tornam os únicos contatos sociais.

Aposentar-se acaba sendo um rompimento com ciclos sociais inesperados, pois não mais compartilha situações cotidianas, tornando o indivíduo alheio a assuntos comuns e impedindo assim a sua socialização.

Não podemos esquecer o impacto financeiro que a aposentadoria trás, pois é de conhecimento geral que infelizmente o nosso sistema previdenciário beira o colapso e grande parte dos trabalhadores se aposenta com valores muito abaixo do salário que recebia quando ativo, gerando assim um misto de emoções de quem trabalhou tanto e se vê recebendo valores irrisórios.

Quem eu sou? Qual minha função na vida agora que não trabalho? Que amigos tenho? Com quem irei sair? Como vou manter o meu padrão de vida? E as viagens que não fiz a vida toda , como fazer agora que me aposentei e não tenho mais renda? Estou ficando doente? Como pagar médicos e tratamentos? Como remédios são caros!

Aposentar muitas vezes é algo muito complicado, mas e agora?

Algumas empresas já tem implementado programas de aposentadoria progressiva, onde meses antes de ocorrer a aposentadoria definitiva é feito uma dessensibilização progressiva do trabalhador, onde ele passa a reduzir sua jornada de trabalho e dias que vai trabalhar até não mais ir.

Outro investimento das empresas é a implementação de um plano de previdência privada, onde possa proporcionar um melhor rendimento financeiro aquele que trabalha.

Para aqueles que não trabalham em empresas que adotam essas praticas, ou que são trabalhadores de outras áreas que não contemplam essas possibilidades, deve se proporcionar um questionamento sobre a aposentadoria e as relações do individuo com o trabalho.

Trabalhar significa identidade, ciclo social, qualidade de vida, rendimentos financeiros, entre outros.

Você já parou para pensar sobre aposentadoria?

Síndrome de Gabriela

“Eu nasci assim, eu cresci assim, sou mesmo assim e vou ser sempre assim. Gabriela, sempre Gabriela…”.

Através da novela Gabriela, adaptação da obra de Jorge Amado, conhecemos a tão famosa personagem Gabriela, moça que não se importa com seu comportamento pouco usual a sociedade da época e claro, muito menos se importa com isso.

Tal personagem ficou tão famosa, e os versos da música de abertura tão marcantes, que acabou-se informalmente surgindo a famosa Síndrome de Gabriela.

Sem ser uma doença de fato, ela melhor descreve um padrão de comportamento rígido, onde aquele indivíduo não mostra habilidades de adaptação aos fatos corriqueiros da vida, muitas vezes se colocando em situações embaraçosas por tal rigidez.

A psicologia como um todo sofre com os indivíduos de comportamento típicos da síndrome de Gabriela, pois são principalmente formados por pessoas que consideram que todos os seus comportamentos são simplesmente reflexos da sua “ personalidade”, seu “jeito de ser” e que jamais irá mudar, afastando assim dos consultórios do mundo todo.

Tal situação gera uma tolerância quanto ao sofrimento do indivíduo, sempre justificado por “ ele é assim mesmo, não vai mudar”. E assim se constrói toda uma geração de pessoas que sofrem, mas não buscam ajuda por acreditarem que as características de sua “personalidade” são assim mesmo, e como já diz a sabedoria popular , “personalidade não se muda”.

Conceitos de personalidade inflexível, incapaz de aprender e se ajustar a novas situações, já foram abandonadas pela psicologia a muito tempo, e novas descobertas do funcionamento comportamental, preconizadas principalmente por Skinner, demonstram que mudanças profundas e radicais na forma de se comportar não só é possível, como também é desejada.

Todo comportamento individual que trás sofrimento pode ser mudado, atenuando assim diversas dificuldades do cotidiano, basta claro procurar ajuda profissional e estar aberto a questionamentos e mudanças.

Não podemos esquecer claro de citar que a rigidez quanto a possibilidade de mudanças acaba se agravando, e muito, quando se trata de indivíduos acima dos 60 anos. “ Ele sempre foi assim, não é agora que vai mudar…” talvez seja algo que mais se escuta quando se chega nessa faixa etária, eliminando assim a possibilidade de atenuar sofrimentos psíquicos tão comuns ao envelhecimento.

Desde que tenha um desejo de mudança, todo comportamento é possível de ser modificado, e com ajuda de um profissional adequado as suas necessidades o sofrimento também pode ser combatido.

 

 

A tecnologia e sua influência na forma de se comunicar

Cada vez mais uma cena comum: O celular vibra, paramos o que estamos fazendo para ver qual mensagem chegou. Conversamos com amigo longe, uma grande sequencia de bom dia, boa tarde e boa noite invade os grupos de família. Marcamos e desmarcamos compromissos diversos em poucos segundos.

Não nos comunicamos mais como antes, porém algumas pessoas insistem em dizer que estamos isolados e isso ira destruir toda a nossa civilização.

Em partes sim, outras partes não, essas afirmações são muitas vezes mais dotadas de tom apocalíptico do que de realidade.

Se colocarmos em uma linha do tempo a séculos os seres humanos se comunicam e tendem a cada vez mais refinarem isso. Somos seres sociais e comunicativos por excelência.

Foram tradições orais, sinais de fumaça, rústicos avisos em cavernas….viraram cartas, telegrama, telefone…chegou o email, whatsapp e quem sabe quais outras revoluções estão por vir. Mas no fundo tudo tem o mesmo objetivo: gostamos de nos comunicar o máximo possível, com a melhor eficiência disponível.

Falar com diversas pessoas ao mesmo tempo , sendo cada uma sentada em sua casa (podendo ser qualquer lugar do planeta) é algo muito novo e temos que aprender a lidar com tamanha revolução.

Surgem os exageros da vida moderna, onde amigos se encontram pessoalmente para falarem virtualmente com pessoas que não puderam estar ali.

Todo meio de comunicação é potencialmente uma maquina de desenvolvimento pessoal, mas se utilizada de forma desproporcional, faz o caminho inverso e leva ao isolamento daquele que usa.

Já disseram os filósofos, já disse A Beck e Albert Ellis, “não é a situação por si só que abala o homem, mas sim, antes, a forma que ele as interpreta”.

Aprender a lidar e interpretar da melhor forma as novas tecnologias é fundamental para que a interação humana não se perca em um amontoado de algoritmos.

Lembre-se, o mesmo avião que ligou o mundo e proporcionou incríveis experiências de desenvolvimento, também jogaram bombas em guerras devastadoras.

O idoso volta a ser criança?

De acordo com estimativas feitos pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa ( acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060.

Em tese isso fara que a população idosa se torne maior que a de crianças, em 2060.

Claro que são projeções, expectativas baseadas em censos atuais, e isso não são cálculos precisos, porém apenas demonstra algo que no momento todos devem prestar atenção: a população idosa está se tornando uma parcela expressiva de nossa sociedade, e nós seremos os idosos desse futuro.

Podemos falar sobre diversos aspectos do envelhecimento, sendo levantadas questões médicas e biológicas, sociais e econômicas, porém dentro disso gostaria de levantar um único ponto que sempre me fez pensar ( e me incomodava). Escutei por diversas vezes a expressão que o Idoso volta a ser criança.

Isso era dito por pessoas que queriam bem seus idosos, muitas vezes sem nenhuma maldade ou algo do tipo incutido. Mas, vamos parar para pensar um pouco sobre isso?

Quando dizem que idosos voltam a ser crianças, a maioria esmagadora das vezes,  se dá em conotação que o individuo “deixa de seguir as regras, fala o que pensa, faz o que quer”.

Será mesmo isso que acontece?

Pensando em uma simples análise da questão,  a prior podemos perceber a enorme diferença entre os comportamentos infantis quanto a isso, e a do idoso. A criança se comporta dessa maneira ( faz e fala o que quer) pois ainda não tem no seu repertório as regras sociais vigentes, em resumo, se comportam assim pois não sabem que isso não é socialmente aceito.

Com idosos isso é bem diferente, sendo muitas vezes explicado seu comportamento por uma condição médica ( demências por exemplo),  outras vezes por entender muito bem das regras sociais vigentes, porém devido a sua experiência de vida escolhe simplesmente não seguir, pois “ ninguém liga”

Essa ideia geral de que ninguém liga para o comportamento do idoso é exemplificada pelo ditado de que idoso volta a ser criança, pois se formos analisar ninguém leva verdadeiramente a sério uma criança.

Se a criança fala algo inapropriado se releva, pois é “criança, não sabe o que faz”, o mesmo que o idoso, pois “ esta velho mesmo”.

Retratar o idoso como uma criança que viveu muito, não é algo bondoso e sim dizer que no fundo, tem se a ideia de que aquele individuo não deve mais ser levado a sério.

O idoso não voltou a ser criança, nenhum de nós em nenhum momento volta a ser de fato uma criança, e deve ser tratado como individuo capaz de entender e interagir com o seu meio, claro que com limitações e muitas vezes com mudanças drásticas de representação de papeis sociais.

Não podemos esquecer jamais que amanhã, se tudo correr bem, os idosos seremos nós.

Fonte utilizada

 

Estresse Pré-Vestibular

No Brasil é utilizado o sistema de provas de admissão escrita para a entrada em cursos universitários, os chamados ( e temidos) vestibulares.

Todos os anos, milhares de jovens brasileiros se submetem a um sistema que consiste em uma série de questões para mensurar seu nível de conhecimento e afunila quem poderá entrar em uma instituição de ensino, sendo normalmente as de caráter público ( federal/estadual) com o maior nível de concorrência.

Não levando em consideração se o atual sistema é justo ou não, tão comum quanto os vestibulares, são os chamados estresse pré-vestibular, ou ansiedade de desempenho.

Todos os sintomas da ansiedade aparecem com um único foco, o dia da prova, porém sentir isso é natural e esperado, porém em grandes quantidades pode vir a atrapalhar o desenvolver da prova, os famosos e terríveis  “brancos”.

Em Novembro de 2008, o psiquiatra Daniel Guzinski e a psicóloga Cátula Pelisoli, publicaram na revista de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), um trabalho que realizaram com 1.046 estudantes de Porto Alegre, onde verificaram a intensidade de ansiedade dos que se preparavam para o vestibular. A pesquisa mostrou 23,5% dos vestibulandos apresentaram ansiedade considerada moderada ou grave. Um dado relevante é que, para eles, a sensação de obrigação de prestar vestibular e o fato de considerá-lo como algo decisivo em suas vidas elevaram os níveis de ansiedade.

Dicas para os estudos e o dia da prova:

  • Pratique o auto monitoramento; ou seja, passe a perceber e a conhecer seu corpo e suas reações a ansiedade.
  • Treine técnicas de respiração; ao perceber que os sinais da ansiedade estão aparecendo, passe a respirar de forma correta. Respirar de forma ritmada e mais lentamente ajuda a regular o fluxo sanguíneo, batimentos cardíacos, entre outros sintomas ansiosos.
  • Conheça as regras do vestibular que irá prestar;
  • Monte um cronograma de estudos baseado nos vestibulares que irá prestar;
  • Respeite seus limites; estudar horas a fio, sem descanso ou tempo para alimentação e sono é desperdiçar tempo.
  • Tente ao máximo não mudar a resposta que marcou na prova; revisar é uma coisa, mudar pois achou uma resposta mágica para a questão é outra bem diferente.
  • Tenha um lugar de estudo limpo, organizado e livre de estímulos externos.
  • Se alimente de forma correta e não esqueça de se hidratar.
  • Procure um psicólogo; muitas vezes questões muito mais profundas estão enraizadas no estresse pré-vestibular, tais como medo de errar, pensamentos dicotômicos ( se passar sou um sucesso, se não serei um fracasso), entre outros.

Bons estudos.

O comprar compulsivo

Nos atuais modelos, o comprar ( seja o que for) é um dos pilares para manter toda nossa economia funcionando ( e muitas vezes nossas vidas também).

Existem uma série de coisas que não temos como fugir de comprar, tais como comida, vestuários, objetos de uso pessoal e para manter nossa higiene, porém não só de necessidades básicas que nos focamos em comprar. Nós também compramos objetos para nosso lazer, cultura e praticidade do nosso dia a dia.

Todos nós sabemos razoavelmente o que é necessário para nossa sobrevivência, para nosso lazer, aumentar nossa cultura , praticidade e o que é supérfluo, mas que em certos momentos nos damos o prazer de consumir.

Nosso processo volitivo ( ou seja, nossa forma de decidir algo) segue basicamente o seguinte esquema:

PROPÓSITO → DELIBERAÇÃO → DECISÃO → AÇÃO

Quando falamos em comprar compulsivas esse processo volitivo entra em curto circuito e fica dessa forma:

 PROPÓSITO → AÇÃO

Aquele que compra compulsivamente não percebe que é inadequado na forma de comprar e pode até se preocupar um pouco antes de realizar a primeira compra ( do dia, da noite, da semana e etc) mas assim que passa a comprar ele deixa isso de lado para comprar apenas pelo prazer de comprar ( ele argumenta que precisa daquilo  para justificar o prazer da compra).

As consequências disso chegam rapidamente, pois o individuo começa a acumular uma série de objetos que não precisa, passa a ter problemas financeiros e se coloca em dividas, chegando ao ponto de contrair novas para pagar a antiga ( tem cartões de crédito para cobrir  outros, empréstimos bancários e em casos extremos passa a procurar agiotas ou outros para ter dinheiro rápido).

Quando para e olha a sua volta, se percebe cheio de objetos desnecessários, muitos deles ainda em suas embalagens, lotado de dividas e quase sem aquilo que realmente precisa para o seu dia a dia.

O que fazer quando me perceber assim?

Quando se trata de comprar compulsivamente há duas frentes importantes que devem ser atacadas para uma melhora: saúde financeira e saúde emocional/comportamental.

  Dicas financeiras:

  • Mantenha um controle financeiro, ou seja um caixa, sabendo exatamente o que entra e sai de dinheiro durante seu dia, semana e mês.
  • Não tenha cartões de crédito
  • Caso não seja possível abolir os cartões de crédito, tenha apenas um, e com limite baixo.
  • Não contraia dívidas para pagar novas dividas.

    Dicas emocionais e comportamentais:

  • Pratique o auto monitoramento, ou seja passe a perceber momentos que você compra mais e o que está acontecendo externa e internamente.
  • Não vá a grandes centros de compras, eles foram feitos para estimular o consumo desenfreado.
  • Procure uma ajuda com um profissional da psicologia, pois muitas vezes percebemos que o comprar além de um grande problema, pode estar encobrindo outros que assim que descobertos podem se tornar uma bola de neve.