Direito a procurar ajuda

“Só quem sofre, sabe o quanto sofre”

Na faculdade de psicologia obrigatoriamente no último ano temos que fazer estágio, entre diversas áreas, na clínica de psicologia.

Basicamente é atendimento clinico supervisionado pelo professor responsável pela matéria, e uma ou duas vezes na semana todos os estudantes se reúnem para discutir sobre o caso e suas possibilidades.

Muito comum também a troca de informações sobre medos, dificuldades e ansiedades típicos de quem está iniciando.

Em uma dessas discussões de caso foi levantado a complexidade de alguns casos e comparado a “simplicidade” de outros. Nesse momento o professor responsável, Fábio Guedes, interveio e falou a frase que inicia esse post. A mensagem era clara, não existe casos mais simples ou mais complexos, são todos sofrimentos humanos que merecem toda a nossa atenção e dedicação, pois aquele que procura ajuda psicológica sofre com aquilo e não cabe a nós julgar o que é mais ou menos sofrimento.

Já me deparei algumas vezes no consultório com pessoas resistentes a terapia, usando o argumento de que “tem gente muito pior e não reclama” …ou “gente passando fome e eu reclamando dessa bobeira” …entre diversas variações desse mesmo pensamento automático.

Sofrimento não é mensurável, muito menos comparável, não é assim que ele funciona. Ele dói, machuca e é na maioria dos casos bem chato.

Todos temos o direito de procurar ajuda psicológica, ou qualquer ajuda que seja, quando algo nos incomoda ou não está bem. Situação alguma do mundo (fome, miséria, violência) deve ser justificativa para sentir-se culpado por seu sofrimento e ninguém pode lhe dizer quando procurar ou não ajuda.

Muitas vezes temos crenças irracionais sobre como os nossos sentimentos funcionam, gerando assim culpas baseadas em ideias de que deveríamos a todo momento controlar tudo que ocorre a nossa volta e internamente. Ao nos deparamos com a dificuldade em controlar tudo, a culpa nos joga a justificativa de que a ajuda não deve ser procurado pois sempre terá alguém em situação pior que a nossa e “conseguiu”.

Tudo bem, de fato existem situações extremas nesse nosso mundo contemporâneo, mas procurar ajuda para seus problemas não fará que os problemas maiores do mundo não recebam a devida atenção e se percam. Muitas vezes é o contrário, estando bem, a possibilidade de ajudar outras pessoas aumenta, disseminando assim a cultura de bem estar.

A saúde emocional também é um direito seu.

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